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Luta dos operários e camponeses é destaque no seminário “100 Anos da Revolução Russa”

Público lotou auditório da Fetrafi-RS Público lotou auditório da Fetrafi-RS Foto: Jorge Correa / Sindjors

A importância da União Soviética na luta anticolonialista e na defesa da classe operária e dos camponeses esteve no centro dos debates do segundo painel do seminário 100 Anos da Revolução Russa, ocorrido nessa segunda-feira, dia 15, no auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras (Fetrafi-RS).

 

O seminário, que vai até 12 de junho, discutiu em seu segundo módulo a URSS, o Movimento Comunista Internacional e a Luta Anticolonial. Os temas foram abordados pelo filósofo e historiador João Quartin de Moraes (Unicamp), pelo historiador Enrique Serra Pedrós (UFRGS) e pelo o professor de Relações Internacionais Diego Pautasso (Unisinos). A coordenação da mesa ficou a cargo da historiadora Ana Regina Simão (ESPM)/Ulbra).

 

Moraes destacou em sua explanação que a luta central da URSS estava alicerçada na emancipação dos operários e dos camponeses. “É lógico que uma guerra dessas proporções desequilibra tudo. No caso da Rússia, foi diferente porque havia naquele contexto um fenômeno de patriotismo das massas. Ou seja, colocou as massas em defesa da pátria. A guerra era um acerto de contas necessário, fundamental”, reforçou.

 

“Na efervescência da revolução, que permaneceu durante todo aquele ano de 1917, as palavras de ordem eram paz e terra, onde o centro da luta eram as classes operárias e os camponeses", acrescentou Moraes.

 

Durante as intervenções, os painelistas enfatizaram as diversas formas como o imperialismo alimentava a máquina industrial e capitalista, enquanto a URSS defendia a causa das colônias e das nações exploradas, estendeu sua ajuda aos países que lutavam pela sua libertação e que recentemente haviam conseguido sua independência. As inclinações soviéticas pela luta libertadora na Índia, enfatizaram os painelistas, não são segredo, pois tratava-se de um país pobre que lutava para se manter em pé e a ideologia socialista era naturalmente atrativa.

 

O historiador Pedrós fez um passeio pelos principais aspectos que marcaram o conflito em diferentes nações com a luta anticolonial ainda no século XIX, quando houve a expansão do capitalismo e do colonialismo. O segundo momento, diz ele, se deu no século XX com as forças imperialistas, quando eclodiu a 2ª Guerra Mundial, resultando, posteriormente, num terceiro momento com o colapso da União Soviética.

 

“Neste momento, o papel da União Soviética foi de extrema importância e significância. Lênin entendeu que não era simplesmente a união do proletariado, mas das nações sofridas também”, disse Pedrós.

 

O intervencionismo dos capitalistas e imperialistas, acentuou Pedrós, se dá de forma direta e indireta. Ele manifestou sua opinião ao destacar o uso de forças e de grupos em ações capitalistas como as que desestabilizaram o Oriente Médio. O historiador usou esse fio condutor para fazer uma correlação com o período que estamos vivendo no Brasil.

 

“Inegavelmente, os golpes se sofisticaram e se tornaram um instrumento de intervenção à margem do direito internacional. Os EUA, por exemplo, naquela ocasião, instrumentalizaram grupos intervencionistas, que repercutiram em perseguições raciais e preconceituosas, resultando em desemprego em massa. Os primeiros a serem exortados da Europa, por exemplo, foram os negros. Os EUA também prenderam negros, pobres e militantes ligados a qualquer movimento de luta”, criticou. Na avaliação de Pedrós, a selva do neoliberalismo é estabelecer o conceito de cada um por si e aprofundar a questão racial e xenófoba.

 

“Qual o grande problema e desafio para esquerda com o momento que estamos vivendo? Compreender que sem um projeto nacional para contrapor as forças do imperialismo não há saída. Hoje, temos microagendas dentro dos partidos, com cada um olhando para o seu lado. Vivemos uma esquerda de messianismo, um conceito de purismo e autofobia. Um exemplo disso é a crítica e condenação que fazem da China por ter se tornado um país emergente internacionalmente em termos de potência econômica e desenvolvimento”, emendou o professor Pautasso.

 

O docente de Relações Internacionais destacou ainda o legado da Revolução Russa, que resultou num salto de qualidade com o desafio de transformar os países mais pobres da Europa em diversas áreas do conhecimento.

 

“Foi um esforço gigantesco da União Soviética, sempre associado à perspectiva de fraternidade e solidariedade. Foi uma revolução de cunho cultural, não só de lutas sociais e políticas. Foi uma tentativa de massificar o ensino médio, universitário, a pesquisa, a tecnologia e a ciência", avaliou.

 

Pautasso destacou ainda que o socialismo imperou durante a luta com predomínio comunista ao destacar a atuação da URSS no sentido de ajudar na Guerra Civil Espanhola. Nas considerações finais, o filósofo e historiador Moraes disse uma frase impactante: “O povo armado estraçalhou os golpistas”. Ele se referia ao episódio durante a Guerra Civil Espanhola, contemporânea da Revolução Russa.

 

A mudança de local do teatro do Instituto de História e Geografia do RS para o auditório da Fetrafi, onde a capacidade é a maior, só comprovou o interesse do público pelos temas abordados no seminário. Quase 400 pessoas participaram da segunda mesa do seminário. O próximo encontro, no dia 22 de maio, abordará razões e lições do colapso soviético. Os encontros ocorrem todas as segundas-feiras, a partir das 18h30.

 

Texto: Roberto Carlos Dias

Última modificação em Quarta, 17 Maio 2017 16:39

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