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Democratizar a comunicação é urgente e necessário, alertam Celso Schröder e Renata Mieli

Mesa temática ocorreu na sede da Fetrafi-RS Mesa temática ocorreu na sede da Fetrafi-RS Foto: Caco Argemi

O Seminário Estadual Comunicação, Democracia e Resistência trouxe o debate Democratização da Comunicação, com os jornalistas Celso Schröder(diretor da FENAJ) e Renata Mieli (coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC), na manhã de sexta-feira, dia 2, no auditório da Fetrafi-RS, em Porto Alegre.

 

O diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (SINDJORS), Celso Schröder, destacou na abertura da mesa que a mídia brasileira assume novamente o papel de ator do golpe, como fez em 1964. A diferença é que, na ditadura civil-militar, foi apoiadora coadjuvante e inclusive denunciou a censura. Agora, segundo o dirigente, a mídia é a principal protagonista do golpe. Na sua avaliação, os dirigentes das grandes empresas de comunicação se deram conta que os partidos de oposição ao PT eram medíocres e resolveram assumir o papel.

 

Schröder ressaltou que a mídia produziu o ambiente para o golpe. Citando Mário Vitor, disse que o resultado de tudo é um jornalismo degradado, um não-jornalismo. O dirigente defendeu uma reação à altura do protagonismo assumido pela grande mídia. Para isso, entende que os representantes dos movimentos sociais devem ver as programações das grandes emissoras, no sentindo contrário do que muitos defendem.

 

O jornalista diz que o golpe não foi dado contra Dilma, mas com o intuito de desacreditar a política brasileira e entregar o patrimônio. “Isso é fascismo”, destacou, lembrando o discurso da mídia, pois construiu um ambiente que incluiu o endeusamento de personalidades e de salvadores da pátria.

 

Na visão de Schröder, o Brasil teve a chance de mudar a atual situação, pois realizou a Confecon durante o governo Lula, envolvendo municípios, estados e mais de 2 mil delegados no evento nacional. “Tivemos a oportunidade e o governo titubeou. Perdemos a batalha da comunicação, pois o golpe foi dado a partir da manipulação da comunicação. E não foi só na mídia tradicional, mas também nas redes sociais”, enfatizou o diretor da FENAJ.

 

O marco regulatório é fundamental na disputa do jornalismo, pensa Schröder. Para ele, o controle público deve ser feito sobre todo o conteúdo. “Precisamos ver qual o papel que está sendo dado para as mulheres, para os negros, para os índios. Necessitamos ver que tipo de jornalismo está sendo praticado”, frisou, lembrando que a luta neste momento é de resistência e em defesa da comunicação.

 

Para a coordenadora do Fórum Nacional da Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Miele, o atual golpe teve o seu início com a crise internacional iniciada em 2008, quando grandes economias se colocaram como alternativa (BRICS) e começaram a ser atacados. “Nossa elite se incomodou com as sucessivas vitórias do campo democrático nos últimos anos. Mas eles eram desorganizados e não tinham projeto”, salientou.

 

Renata destacou a importância de identificar as atuais empresas de comunicação como essencialmente capitalistas. “Não são mais empresas familiares, tampouco as fusões se deram apenas na área da comunicação. Existem outros setores da economia na área de comunicação”, disse. Para a jornalista, as que não mudaram a composição do capital faliram.

 

A coordenadora do FNDC também ressaltou que existe hoje uma degradação no jornalismo e perseguição aos jornalistas. “Nas redações, existe perseguição das chefias. Os jornalistas são chamados para serem repreendidos pelo que falam nas redes sociais, como o Facebook”.

 

Na opinião da dirigente, a receita da grande mídia para vencer a crise profunda do capitalismo é acabar com os direitos sociais e trabalhistas. A seu ver, o que acontece no Brasil tem similaridade em outros países. “Ideias de direitos não cabem no momento de crise do capitalismo. Vivemos um estado de exceção”, enfatizou. Para a jornalista, o campo democrático deveria investir mais em meios de comunicação democráticos. “Por exemplo, poderíamos ter comprado o Jornal do Brasil, adotando um conselho editorial independente. Não é uma contra-narrativa, mas para mostrarmos a verdade dos fatos”, sugeriu.

 

Por fim, Renata defendeu que os movimentos têm que sair do discurso e fazer uma defesa enfática da comunicação pública, evitando situações como a intervenção na EBC e a proposta de fechamento da Fundação Piratini no Rio Grande do Sul. “Esta tarefa não deve ser apenas dos jornalistas, mas dos movimentos sociais”, defendeu. A jornalista exibiu o vídeo Calar Jamais, produzido pelo FNDC, que defende a liberdade de expressão.

 

Assista ao vídeo:

 

 

Fonte: Sindjors

Última modificação em Segunda, 05 Dezembro 2016 13:30

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