17.06.08
Carta
de Santa Maria
Os
jornalistas gaúchos reunidos em Santa
Maria nos dias 13 e 14 de junho de
2008, durante o 33º Congresso Estadual dos Jornalistas,
debateram ‘O Mundo do Trabalho na Comunicação
- Oportunidades e Ameaças’ como tema central. Os debates
abordaram questões como a implantação da TV Pública
Brasileira e a crise da Fundação Piratini - TVE e FM Cultura;
a precarização das relações de trabalho
e o cenário do mercado brasileiro e internacional, diante da
desregulamentação e das novas tecnologias e a necessidade
de regulamentação nestas relações de trabalho
e o papel do Estado como agente regulador. Discutiu-se a segurança
dos jornalistas e as necessidades de criação
de protocolos para proteger os profissionais em situação
de risco. Necessidade da defesa do Jornalismo qualificado
num mundo de informação abundante e desconexa.
Amparados
nesse debate, os jornalistas decidem:
1.º
- Pela defesa da TV Pública e conclamam a sociedade gaúcha
para reverter a situação de sucateamento e abandono em
que se encontra a Fundação Piratini, no atual governo,
para implementar o seu caráter público e independente,
criando uma Frente Gaúcha em defesa da TVE e da FMCultura;
2.º
- Reafirmar a defesa da formação específica de
Terceiro Grau para garantir um Jornalismo de qualidade
que a sociedade merece;
3.º
- Condenar a precarização e flexibilização
do mercado com a adoção de práticas ilegais, tais
como a pejotização e o estágio ilegal;
4.º
- Condenar toda e qualquer forma de ameaça ao exercício
profissional dos jornalistas, desde o caso de
Rosário do Sul, em março deste ano, quando a
Brigada Militar humilhou e impediu jornalistas de fazerem
a cobertura da retirada truculenta das trabalhadoras rurais da fazenda
Tarumã, como a agressão física sofrida pelos colegas
do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, ao assédio
profissional exercido diariamente dentro das empresas de comunicação;
5.º
- Que a liberdade de expressão é um bem do cidadão
a ser garantido pelo trabalho do jornalista;
6.º
- Apostar num mundo de novas tecnologias e possibilidades informativas,
mas postulam este mundo submetido à regulação e
legislação republicanas.
Os
mais de 300 jornalistas e estudantes reunidos no Congresso
Estadual dos Jornalistas, pela primeira vez realizado
no Interior do Estado, em Santa Maria, identificam
o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS como
órgão adequado para o encaminhamento e defesa das lutas
da categoria.
Santa
Maria, 14 de junho de 2008
14.06.08
Escolhidos
os delegados e as teses para o Congresso Nacional de Jornalistas
Na
plenária final do 33° Congresso Estadual de Jornalistas,
a categoria se reuniu para discussão e escolha das teses a serem
enviadas ao Congresso Nacional de Jornalistas, que
será em agosto, em São Paulo. Também foram eleitos
os seis delegados que representarão o Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Rio Grande do Sul no evento. As sete teses
aprovadas foram 'A sindicalização de jornalistas
estrangeiros', 'A pré-sindicalização de estudantes
de Jornalismo', 'Novos valores para as carteiras nacional
e internacional de jornalistas', 'A valorização
dos jornalistas em órgãos públicos',
'Pelo direito cidadão à informação e compromisso
dos jornalistas com o direito humano à comunicação',
'Em defesa da aposentadoria especial' e 'A feminização
do mercado jornalístico e a histórica discriminação
de gênero'.
Foto:
Arfio Mazzei

Categoria
escolheu suas teses e representantes
Os
delegados eleitos foram José Maria Rodrigues Nunes, presidente
do Sindicato dos Jornalistas do RS, José Carlos
Torves, diretor da Fenaj e do Sindicato, Celso Augusto
Schröder, vice-presidente da Fenaj e diretor do Sindicato,
Vera Daisy Barcellos, do Núcleo de Jornalistas
Afro-brasileiros do Sindicato e integrante da Comissão
de Ética, José Weis, da redação do jornal
Versão dos Jornalistas e suplente da Comissão
de Ética, e Elisa Pereira, diretora do Sindicato
e da Delegacia Regional de Santa Maria.
* José Weis
Palestra
de encerramento aborda qualidade de ensino e estágio
A
última palestra do 33º Congresso Estadual de Jornalistas,
na tarde deste sábado, 14 de junho, teve como
tema 'Qualidade do Ensino de Jornalismo e Estágio Acadêmico'.
A ministrante Valci Zuculotto, do Departamento de Educação
e Aperfeiçoamento Profissional da Federação Nacional
dos Jornalistas, lembrou da polêmica envolvendo
o estágio em Jornalismo. "Hoje, se antecipa
à etapa no mercado. Se deforma a formação. O estagiário
é utilizado como mão-de-obra. Essa condição
pode se voltar contra o estudante mais tarde, quando ele estiver formado
e no mercado de trabalho".
Foto:
Arfio Mazzei

Valci
destacou a situação da formação dos futuros
jornalistas
De
acordo com ela, o programa de estágio da Fenaj deve ser concluído
ainda este ano. "Questões como a assinatura do texto, período
do estágio, carga horária e bolsa auxílio já
estão sendo discutidas e estarão na pauta do Congresso
Nacional, em agosto". Durante a palestra, Valci destacou que o
momento é crucial para o futuro da profissão. "Deve
ocorrer uma mobilização de estudantes, profissionais,
sindicatos e Fenaj, buscando o apoio de outras entidades da sociedade,
para mostrar aos ministros do Supremo Tribunal Federal a importância
da formação acadêmica para o exercício da
profissão".
Valci
ressaltou que é fundamental convencer os ministros que a questão
do diploma não é somente uma ação coorporativa,
mas uma questão que envolve o interesse de toda a sociedade.
A professora enfatizou que, somente, a formação dará
ao futuro profissional a condição ideal para exercer um
Jornalismo de qualidade. "O estudante tem que
estar preparado para atuar em todas as áreas. Também precisamos
discutir a qualidade do ensino dos cursos de Jornalismo",
finalizou.
* Carmem Carvalho
Dorneles
admite que os jornalistas são a retaguarda da sociedade
"Não
gosto de fazer previsões jornalísticas porque entendo
que nesse mercado tudo vai se adaptando, com a inserção
de novas tecnologias", afirmou o jornalista Carlos
Dorneles, da Rede Globo de Televisão, durante o 33º Congresso
Estadual de Jornalistas, em Santa Maria.
Hoje, segundo ele, a informação é tratada como
mercadoria, os grandes conglomerados empresariais de mídia vendem
a informação como um produto qualquer, visando apenas
o lucro. "O poder da mídia é nefasto, devastador
e isso ocorre tantos nos grandes conglomerados de comunicação
como nos jornais e rádios das pequenas cidades, e vai se alastrando",
alertou.
Dorneles
argumentou que a grande questão é nas mãos de quem
está a mídia. "Nós, jornalistas,
não somos vanguarda da sociedade, mas a retaguarda. Estamos indo
sim a reboque, porque somos reprodutores de uma ideologia empresarial.
Somos defensores das empresas de comunicação,
e não foi para isso que nos formamos".
Fotos:
Arfio Mazzei

O diretor
do Sindicato Léo Nuñez mediou a mesa com Carlos Dorneles
O
jornalista admitiu que a categoria sonega informações
à sociedade porque o sistema capitalista idealizou dessa forma.
Enfatizou o fato de que antigamente os jornalistas tinham maior independência
nos jornais, rádios e tvs, o que não acontece atualmente
porque a informação está vinculada à área
comercial. Ao referir-se à evolução tecnológica,
Carlos Dorneles salientou sua importância para facilitar o trabalho
dos profissionais. Mas, enfatizou que, com isso, "as mentiras chegam
mais rápido, mas continuam a ser mentiras".

'As Perspectivas do Jornalismo Brasileiro no Século XXI' foi
a pauta de Dorneles
O
jornalista defendeu a exigência de diploma e
do Conselho Federal de Jornalistas, "pois como em qualquer profissão,
o conselho serve para organizar e qualificar a categoria, e a faculdade
é importante para a formação humanista. "Não
saí mais jornalista da universidade do que entrei,
mais saí mais humano".
* Jovelina Xavier
Jornalismo
é algo sério e perigoso
De
jornalistas para jornalistas e estudantes
de Jornalismo, e um só tema: oportunidades no
mercado de trabalho jornalístico gaúcho e da América
Latina. A mesa reuniu nomes como Carlos Bastos, superintendente de Comunicação
da Assembléia Legislativa, Telmo Flor, diretor de redação
do jornal Correio do Povo, Suzana Blass, presidente do Sindicato dos
Jornalistas do Município do Rio de Janeiro,
Silvia Teixeira, representando os sindicatos de jornalistas
do Uruguai, e o jornalista e professor Roberto Castro,
do Peru.
Bastos,
do alto dos seus 50 anos de profissão, lembrou os muitos jovens
e talentosos profissionais que começaram junto com ele e hoje
têm reconhecimento nacional. Alertou aos estudantes sobre um possível
decálogo "para um bom jornalista".
Carlos Bastos falou em um domínio do idioma, que se dá
por meio de muita leitura, uma troca e convivência com profissionais
com mais experiência, humildade, curiosidade, saber que se trabalha
em equipe, saber preservar as relações com as fontes,
manter-se sempre atualizado com as novas ferramentas e tecnologias,
e, principalmente senso de ética. Alertou a todos "que o
mar não está para peixe".
Foto:
Arfio Mazzei

Discussão
apresentou realidade do mercado no RS, Brasil e América Latina
Telmo
Flor assumiu a difícil situação de dizer para competentes
e experientes colegas que não há vagas, e que o mercado
de trabalho no Brasil vive um período de perplexidade e contradições.
Defendeu a necessidade do diploma, mas questionou a criação
do Conselho Federal de Jornalismo. Susana Blass falou
sobre o recente episódio do seqüestro e tortura de jornalistas
do carioca O Dia, feito pelas milícias que são poder paralelo
dentro do Rio de Janeiro. "Na pauta de negociações
com a classe patronal, fica difícil de colocar a questão
da segurança e condições de risco a que se submetem
os jornalistas no Rio de Janeiro".
Sílvia
Teixeira, do Uruguai, falou que em seu país a profissão
ainda não está totalmente regulamentada, e que há
uma defasagem de até 40% do salário dos trabalhadores
da Capital, Montevidéu, e do Interior uruguaio.
Roberto Castro, peruano, alertou aos jovens estudantes que aproveitassem
tudo o que este Congresso estava lhes proporcionando, e que Jornalismo
não é uma brincadeira, é algo sério e perigoso".
* José Weis
Primeira
mesa do sábado discute trabalho no Congresso dos Jornalistas
A
relação de emprego disfarçado está crescendo
e se fortalecendo no mercado, através da pejotização,
terceirização, cooperativados e estágios. "São
formas de burlar a legislação dos direitos do trabalho,
beneficiando o mercado e enfraquecendo a força dos trabalhadores,
onde o trabalho fica submetido a uma relação mercantil",
destacou o filósofo, professor e diretor adjunto do Instituto
de Economia da Unicamp, José Dari Krein, no segundo dia do 33º
Congresso Estadual dos Jornalistas, durante o painel 'Os Direitos e
as Transformações no Mundo do Trabalho', no Hotel Itaimbé,
em Santa Maria.
José
Krein e a juíza do Trabalho aposentada e professora Magda Biavaschi
debateram sobre a atual conjuntura do mercado e do direito do trabalho,
com mediação da vice-presidente do Sindicato dos
Jornalistas Profissionais do RS, Marcia Camarano. Biavaschi
levantou questionamentos sobre a dura realidade para trabalhadores,
que cada vez mais ficam sujeitos aos interesses do mercado. Segundo
ela, "não se reconhece nenhum direito, a não ser
o interesse econômico e o de eliminar todos os obstáculos
que possa atrapalhar o seu intento".
Fotos:
Arfio Mazzei

Primeira
mesa do sábado teve o trabalho como pauta
A juíza ressaltou que os trabalhadores
estão tendo cada vez mais seus direitos diminuído, e ficando
sem qualquer garantias. Argumentou que a reforma da Previdência
foi uma das maiores privatizações pois levou o mercado
para dentro do sistema. "A desculpa alegada é o seu alto
déficit, que na realidade é resultado deste mercado que
está posto, onde os trabalhadores ficam alijados de seus direitos
sociais com a pejotização, terceirização
e estágio, e que lesa a Previdência, que fica sem a contribuição
previdenciária".
Com a não vinculação
à folha de pagamento do trabalhador, apontou José Krein,
fragiliza-se todo o seu sistema de proteção, pois ele
fica sem direito ao salário desemprego e Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço, quando demitido, férias, 13º salário
etc. Acrescentou que não existe mais uma distância clara
entre o tempo do trabalho e o tempo da vida de uma pessoa que, além
de trabalhar além da jornada estabelecida, leva serviço
para casa. "Antes, trabalhávamos para viver. Agora, vivemos
para trabalhar", sentenciou.

Filósofo apontou as falhas no sistema de trabalho
Magda Biavaschi alertou que existe um
projeto que apresenta um argumento de ser uma sistematização
das regras já alteradas da CLT, "mas na realidade é
um novo Código do Trabalho, que torna inegociável qualquer
norma desse projeto". "Não podemos aceitar isso, temos
que impedir que seja efetivado. Que tensão é possível
ocorrer na sociedade para acabar com essa força avassaladora
que nos rouba a fala?", questionou ela, lembrando que várias
medidas negativas aos trabalhadores estão sendo aprovados sem
que a sociedade reaja. "Temos que buscar caminhos transformadores
e alterar essa situação que está acabando com os
direitos sociais e humanos conquistados no período do século
XIX até os anos 30 do século passado".
* Nilza Scotti
13.06.08
Tereza
Cruvinel: um Jornalismo com vida orgânica é feito neste Estado
Na
palestra de abertura do 33º Congresso de Jornalistas,
a presidente da TV Brasil da Empresa Brasileira de Comunicação,
Tereza Cruvinel, afirmou que sua era obrigação defender
e explicar a criação da TV Pública do Brasil em
todo o território nacional. A jornalista falou da importância
do evento como este congresso se realizar no Interior do Rio Grande
do Sul, "um Estado onde se faz um Jornalismo com
vida orgânica", definiu.
Foto:
Arfio Mazzei

Cruvinel,
com Schröder, tratou sobre o tema 'A TV Pública no Brasil'
Em
sua exposição, Cruvinel traçou uma rápida
trajetória da TV Brasil, desde outubro de 2007 a março
último. A medida provisória que cria o Projeto de Lei
11.652 não seria senão uma concretização
do artigo 223 da Constituição Federal, que fala sobre
a Comunicação Social. Falou também
sobre as dificuldades em vencer as desconfianças que a criação
de uma televisão pública, de fato, despertaram pelo país
a fora. Tereza também falou sobre a captação dos
recursos para a implantação do Sistema Público
de Comunicação da autonomia e pluralidade
do seu Conselho Curador. "Não há TV Pública
no mundo que prescinda de recursos públicos, observada sua natureza
de serviço público e a inconveniência da publicidade
comercial", ressaltou.
Quanto
à programação da TV Brasil, é calcada no
Jornalismo com foco no direito à informação com
qualidade. Ela também lamentou o fato que as indefinições
quanto ao futuro da TVE impeçam que essa televisão gaúcha
se integre à rede e não receba o telejornal Repórter
Brasil, por exemplo.
* José Weis
Congresso
Estadual debate o mercado de trabalho dos jornalistas
O
33º Congresso Estadual dos Jornalistas, 'O mundo
do trabalho na Comunicação - Oportunidades
e ameaças' foi aberto oficialmente na noite desta sexta-feira,
dia 13 de junho, no Hotel Itaimbé, em Santa
Maria, pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Rio Grande do Sul, José Maria Rodrigues
Nunes. "Vamos discutir, durante o encontro, questões pertinentes
à categoria, entre elas, os direitos e as transformações
do mercado de trabalho, as oportunidades do mercado jornalístico
gaúcho e da América Latina, a TV pública no Brasil
e as perspectivas do Jornalismo no século XXI",
apontou Nunes.
O
presidente lembrou que o Sindicato, que já completou
65 anos, continua com espírito jovem. "Além das questões
relacionadas aos jornalistas, o Sindicato trata de
questões sociais". José Nunes destacou os ex-presidentes
do Sindicato João Souza, Celso Augusto Schröder
e José Carlos Torves. Nunes afirmou estar feliz pela realização
do primeiro congresso da categoria no Interior, e que Santa
Maria foi escolhida por estar localizada "no coração
do Rio Grande do Sul".
Foto:
Arfio Mazzei

Presidente
do Sindicato fez abertura solene do encontro
Durante
seu discurso, o vice-presidente da Federação Nacional
dos Jornalistas - Fenaj, Celso Augusto Schröder,
elogiou a iniciativa da realização do primeiro congresso
no Interior do Estado, lembrando que ele servirá como preparação
para o encontro nacional que ocorrerá em São Paulo, em
agosto. Também recordou a discussão envolvendo a formação
acadêmica para o exercício da profissão de jornalista.
"Estamos em um momento decisivo que exige a mobilização
dos jornalistas", enfatizou.
* Nilza Scotti