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FENAJ e SINDJORS repudiam agressões a jornalistas na cobertura da greve

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) denunciou na tarde de quarta-feira, 30 de abril, que mais de uma dezena de jornalistas, em pelo menos oito estados brasileiros, sofreram ameaças e agressões verbais durante o trabalho de cobertura da greve dos caminhoneiros, desde o dia 21 de maio de 2018. Houve relatos de casos no Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Londrina, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A Federação e seus 32 Sindicatos filiados denunciaram as agressões e pediram providências às autoridades de Segurança Pública.

 

 

No mesmo dia, o repórter Jonas Campos (acima), da RBSTV, denunciou em depoimento no seu Facebook que teria sido “vítima do ódio desenfreado contra a imprensa em frente a uma distribuidora de combustível em Canoas”. O profissional relata que foi chutado, empurrado e ouvido “as piores palavras que machucam no peito”. O profissional conta que não reagiu, não disse uma palavra. Ficou quieto, calado. “Quando o nível de tensão ultrapassou qualquer limite fugi para evitar o pior. O repórter cinematográfico Dalmir Pinto também sofreu as mesmas humilhações, foi agredido e ameaçado. Nosso auxiliar Rodrigo Quesada pediu o apoio da Brigada Militar na hora que percebeu que um dos agressores estava prestes a me enfiar um soco na cara”, revela.

(Leia o depoimento completo de Jonas clicando aqui)

 

 

Nas mesmas coberturas, profissionais de outros veículos foram hostilizados. Cristiano Dalcin (acima), da Record TV RS, conta que na noite de terça-feira foi fazer um link ao vivo na Refap, em Canoas, para o Jornal da Record, às 22h, e foi surpreendido. “Quando foi ligada a luz da câmera, fomos ameaçados e hostilizados por um grupo de pessoas. Não eram caminhoneiros. Era um grupo de moradores que se juntou a eles para protestar”, diz. O profissional destaca que, por causa do tumulto, a equipe não conseguiu entrar ao vivo no jornal. “A situação ficou pior quando alguns manifestantes nos seguiram até o carro, sob ameaças”, relata Dalcin.

 

 

A repórter Luciane Kohlmann (acima), do SBT RS, também foi uma vítima dos manifestantes. A profissional, que estava fazendo a reportagem sobre a greve dos petroleiros, relata que foi xingada num dos acessos à Refap e seguiu para outro portão para gravar um boletim. “Neste momento, um grupo se aproximou e disse que só deixaria eu gravar se eu dissesse que era o povo brasileiro que estava lá. Tentei explicar que eu falava da greve, mas não adiantou. Praticamente nos expulsaram”, informa a repórter.

 

Outros casos, como o repórter fotográfico do Jornal Pioneiro, Marcelo Casagrande, foram relatados pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) ao longo da semana. Durante a cobertura de manifestações de caminhoneiros que realizava em um posto de combustíveis em Caxias do Sul, na terça-feira, o jornalista foi agredido física e moralmente pelos manifestantes.

 

“Como já destacamos naquele episódio com o Marcelo, nos solidarizamos também com o Jonas, com o Cristiano, com Luciane e com toda a equipe deles. Repudiamos com veemência todos estes atos de violência contra jornalistas no exercício da profissão. Não aceitamos como legítimas estas ações de grupos dentro de movimentos de luta e grevistas. Ninguém tem o direito de agredir e espancar trabalhadores da imprensa que estão buscando informar a população”, enfatiza o presidente do SINDJORS, Milton Simas Junior.

 

(Clique aqui e acompanhe mais agressões que ocorreram pelo Brasil)

 

Defesa intransigente

A Federação Nacional dos Jornalistas e os 31 Sindicatos filiados conclamam aos profissionais vítimas a registrarem tais ocorrências e a buscar apoio nos Sindicatos de Jornalistas. Relatório da Violência contra os Jornalistas, produzido pela FENAJ, edição de 2017, mostrou que foram registrados 99 casos agressões contra jornalistas, 38,51% a menos do que em 2016, quando houve 161 agressões. Neste ano, um jornalista e um radialista foram assassinados e já acorreram mais de 50 casos de agressões.

 

A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas brasileiros salientam que agressões verbais e/ou físicas devem ser veementemente apuradas e condenadas, inclusive como objeto de processos criminais, além de constituírem atentado à liberdade de informação, de imprensa e, portanto, uma afronta a princípios basilares da democracia. “Defendemos intransigentemente o jornalista no exercício profissional”, diz a presidenta Maria José Braga.

 

Fonte: Imprensa/SINDJORS com FENAJ

Tags: agressões a jornalistas na cobertura da greve - Bahia - Ceará - Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) - Londrina - Pará - Pernambuco - Rio de Janeiro - Rio Grande do Sul - Santa Catarina
Cadastrada em 01/06/2018