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EPIs: direito do trabalhador, dever do empregador e o uso correto

A pandemia causada pelo Covid-19 vem provocando uma mudança na rotina dos cidadãos das nações afetadas com o novo corona vírus. Até o final de maio, o Brasil bateu lamentáveis recordes. Isso porque algumas cidades e estados iniciaram a flexibilização e o resultado foi alarmante. Em 1° de maio, o Brasil tinha 6.354 mortes confirmadas por Covid-19. No dia 30, já eram 28.834, um aumento de 353%. Os casos registrados deram um salto de 444%, no mesmo período; de 91.604 para 498.440 (os dados são do Ministério da Saúde). Também é fato que a falta de estrutura sanitária do país, de testes e da precariedade de atendimento, faz com que os casos sejam subnotificados, o que significa que os números tendem a ser bem maiores.

 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul – Sindjors, ocupado com a segurança da categoria, nos ambientes de trabalho, assinou, em 20 de abril último, o Acordo Temporário Emergencial diante da Pandemia de COVID-19, com os sindicatos patronais. Dentre outras deliberações, as empresas ficaram obrigadas a fornecer Equipamento de Proteção Individual (EPI) a cada jornalista, para uso durante as jornadas de trabalho interna e externa, com destaque para “a distribuição gratuita de máscara faciais de proteção”.

 

NENHUMA EFICÁCIA – No entanto, enquanto o presidente Jair Bolsonaro, na quarta-feira (03), vetou repasse de R$ 8,6 bilhões a Estados e municípios – recursos disponíveis criados pelo Congresso, para o combate ao novo corona vírus –, poucos dias antes, a prefeitura do Rio de Janeiro distribuía máscaras descartáveis de papelão à população de rua. Eram feitas em cartolina branca, dobrável, acompanhando o formato da boca e do nariz, com elásticos para prender nas orelhas. Outras prefeituras e, até mesmo, empresas, também distribuíram as máscaras de papelão. Para se ter uma ideia da “eficácia” da máscara de papelão, a revista científica New EnglandJournalof Medicine publicou um estudo, onde aponta que o novo coronavírus permanece no papelão por até três dias, ainda que em quantidades muito pequenas. Consultada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, não se pronunciou sobre as máscaras de papelão, limitando-se a informar que é responsável apenas pela validação de máscaras para os serviços de saúde.

 

VIGILÂNCIA E CUIDADOS – Desta forma, o Sindjors aumentou a vigilância em relação às empresas de comunicação, para evitar que estas “máscaras de proteção” cheguem por aqui. E, para que os jornalistas tenham segurança no tipo de máscara a ser exigida nas redações, seguem orientações da própria Anvisa. Para os profissionais da comunicação, as máscaras podem ser as confeccionadas em tecidos como algodão, tricoline, tnt, entre outros, e devem cobrir o nariz e a boca, durante a pandemia. É importante, segundo a Anvisa, evitar tecidos que possam irritar a pele, como poliéster puro e outros sintéticos. Diferentes das máscaras de uso profissional, as comuns não possuem um “elemento filtrante”, mas a utilização é uma importante medida sanitária no combate à Covid-19. No entanto, elas devem ser usadas por um período de poucas horas. A Anvisa recomenda que cada pessoa tenha em torno de cinco máscaras de uso individual.

 

E, ainda,

  • assegurar-se que a máscara esteja limpa e sem rupturas;
  • fazer a higienização das mãos com água e sabonete ou com álcool gel a 70%;
  • tomar cuidado para não tocar na máscara, se tocá-la, deve executar imediatamente a higiene das mãos;
  • cobrir totalmente a boca e nariz, sem deixar espaços nas laterais;
  • manter o conforto e espaço para a respiração;
  • evitar o uso de batom ou outra maquiagem durante o uso da máscara;
  • utilizar a máscara por, no máximo, 3 horas – trocar após esse período e sempre que estiver úmida, com sujeira aparente, danificada ou se houver dificuldade para respirar;
  • ao retirar a máscara, colocar para lavar e repetir os procedimentos de higienização das mãos.

 

É importante lembrar que a máscara é de uso individual e, portanto, não deve ser compartilhada, mesmo depois de lavada e higienizada. A Anvisa ainda recomenda que se evite usar a mesma máscara, depois de 30 lavagens. E adverte que a limpeza do equipamento deve ser feita separadamente de outras roupas, com água corrente e sabão neutro, e ficando de molho em uma solução de água com água sanitária – ou outro desinfetante – de 20 a 30 minutos. É importante lavar bem, evitar torcer a máscara com força e passar com ferro quente depois de seca. A indicação é guardar em recipiente fechado.

 

Lembramos que, em ambientes fechados como as redações, limpe e desinfete as superfícies frequentemente tocadas diariamente – mesas, maçanetas,interruptores de luz, bancadas, mesas, telefones, teclados, banheiros, torneiras, pias, etc. E, atenção, caso o empregador lhe apresente as máscaras de papelão ou outro material que não os que foram aqui elencados, denuncie imediatamente ao Sindjors, para que as providências sejam tomadas. #FiqueEm Casa #UseMáscara.

 

Fonte: Carla Seabra/Imprensa Sindjors

 

Cadastrada em 08/06/2020