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“Que laaaance!” Gaúchos se despedem de um gigante da comunicação

Foto: Anderson Fetter/Agência RBS

Por Carla Seabra

 

Foi cremado, na tarde de sexta-feira (16/10), o corpo de um dos maiores comunicadores do Rio Grande do Sul, Celestino Valenzuela, 92 anos, que morreu na noite de quinta-feira, em decorrência de complicações de saúde após infarto sofrido em junho de 2020. Casado há 60 anos com Íris Valenzuela, deixa a mulher e, também, a filha Valena. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors) lamenta a morte de um dos narradores mais marcantes da televisão do Estado e presta homenagem com o depoimento de quem, com ele, trabalhou, na então Tv Gaúcha, durante a década de 1980.

 

‘Celestino foi o autor do bordão “que laaaance” (assim mesmo, dando ênfase à primeira sílaba), criada ao narrar jogadas importantes numa partida de futebol. Quem acompanhava o esporte, pela televisão, até o final da década de 1980, tinha encontro marcado com o Celeste (como os colegas o chamavam, com carinho). Quando era perguntado sobre ser gremista ou colorado, respondia que torcia para o Aimoré, clube esportivo de São Leopoldo. Brincalhão, estava sempre de bem com a vida e adorava pescar. Naquela época em que trabalhamos juntos, ele veraneava em Cidreira, no litoral norte. Chamava a casa de “garajão”, porque o carro ficava ali dentro, como se fosse parte da sala. Quando casei, ele cedeu a casa para que eu passasse os dias de folga no garajão, com meu marido. Ao chegarmos, em cima da mesa, havia flores, espumante e um carinhoso cartão. Além disso, era um dos convidados mais animados e alegres do meu casamento. Ele era assim, meio paizão, puro coração.

 

Li, hoje, depoimento do jornalista Cláudio Dienstmann, onde lembrou das rimas “pornográficas” que o Celestino tinha para palavras terminadas em “ino”, “ela”, “u”, “unda”, dentre outras. Se algum de nós aprontava e colocava notícia do time de futebol Bangu, por exemplo (e nós adorávamos fazer isso com ele), Celeste mudava, na hora, de improviso, para “Clube de Moça Bonita” (estádio de Moça Bonita, também Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, sede do Bangu). Era uma diversão trabalhar com ele. Durante seis anos de convívio diário, nunca o vi triste. E aprendi muito com ele, especialmente com a generosidade desse gigante da comunicação.

 

De caráter irretocável, Celestino soube construir uma família envolta em muito amor e uma carreira de sucesso. Há quase dois anos, encontramo-nos todos, “ex Tv Gaúcha”, e ele estava lá, firme, forte, sorrindo, sendo abraçado por cada um que chegava. Tenho certeza de que esse momento ficará eternizado em nossos corações.

 

Apresentador, narrador, locutor, Celestino Valenzuela nasceu em Alegrete, no dia 09 de junho de 1928, e começou a carreira em 1959, na recém fundada Tv Piratini; também trabalhou na Rádio Universidade. Ele se aposentou em 1989, em momento espetacular da carreira, na Tv Gaúcha. Ele dizia que havia largado o microfone antes que o microfone o largasse. O legado do Celestino é rico e repleto de ética, de conhecimento, de sabedoria, de retidão e de exemplos. Para os comunicadores, um legado de conteúdo enriquecedor, lição de comunicação. E, para os amigos, como eu, ficam também as recordações de alguém que sabia o significado da palavra amizade, parceria, companheirismo. Celestino Valenzuela teve biografia lançada em 2014, escrita por Rafaela Meditsch e Eduarda Streb. O nome da publicação? “Que lance!” – não poderia ser outro!’

 

 

Tags: Celestino Valenzuela - jornalistas - Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS - SINDJORS
Cadastrada em 17/10/2020