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O adoecimento dos jornalistas em teletrabalho: evento do Sindjors debateu o tema com especialista

A pandemia do novo Coronavírus – a Covid.19 – trouxe uma nova cultura de trabalho – o expediente remoto (home office). No entanto, a linha que separa o tempo de trabalho e o tempo social e familiar dos trabalhadores se mostrou muito tênue. E a falta de controle sobre ela pode levar ao adoecimento emocional e físico. Essa constatação foi apresentada pela psicóloga Thiele da Costa Müller Castro, mestre e doutoranda em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS, em encontro virtual com jornalistas, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS – Sindjors, no último dia 07 de fevereiro. A especialista apontou, ainda, que aqueles que estão mais engajados no trabalho e com mais identidade com a empresa ou instituição que representam são os que mais adoecem.

 

O excesso de tarefas, a dificuldade de cumprir a carga horária, a ausência de limite entre trabalho e não trabalho, que esbarra na convivência familiar, geram ansiedade, cansaço, falta de motivação, dificuldade de concentração e pressão para ser criativo, frente ao risco de supressão de postos de trabalho. Este é o universo enfrentado, atualmente, pelos jornalistas profissionais e que vem se arrastando desde o mês de março de 2020, com a chegada da pandemia, e estão entre as principais queixas dos trabalhadores, de acordo com Thiele.

 

Em OS IMPACTOS DA PANDEMIA NO COTIDIANO, tema do encontro, a especialista em saúde mental apontou caminhos para se tentar minimizar os impactos da brusca passagem para o que chamou de “trabalho pandêmico”, que atingiu a categoria. Thiele explicou que as práticas de tratamento e reabilitação devem proporcionar, ao trabalhador, não somente a tomada de consciência, mas também uma instrumentalização que permita mudar sua relação com o trabalho, transformando o processo de tratamento “em um processo de participação ativa e em uma ação transformadora”. Para ela, a solução é coletiva e, por isso, é fundamental que se criem espaços públicos de fala e escuta. “É na escuta do que é expresso que se cria a possibilidade de o sofrimento emergir e sua solução ser pensada por todos”, resumiu.

 

Durante o encontro, ela explicou sobre os três eixos do sofrimento a que estão expostos os trabalhadores: o criativo; o ético (quando eles cometem, negligenciam ou compactuam com atos com os quais não concordam e condenam moralmente) e patogênico (quando há ausência de representação para o sofrimento, quando eles deixam de envolver e adoecem). Thiele alertou, ainda, que o sofrimento pode levar até ao suicídio, em consequência do assédio moral e outras ações nocivas ao equilíbrio emocional. Ela pontuou a existência de doenças ocupacionais, como as físicas (ler/dort); psicossomáticas (dermatites, gastrites, hipertensão, cardiopatias, diabetes, obesidade, etc.) e psicossociais (estresse, depressão, fobias e síndrome do pânico). Explicou, também, a ocorrência do distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, a Síndrome de Burnout.

 

Participaram do evento, além de dirigentes e profissionais jornalistas, de todo o Estado, a diretora de Formação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do RJ, Carmen Pereira, que é, também, uma das responsáveis pelo setor de Educação e Aperfeiçoamento Profissional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a jornalista Mônica Cabañas, doutoranda em Psicologia Ericksoniana, ora residindo no México.

 

Texto: Rosa Pitsch/Imprensa Sindjors

 

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Cadastrada em 08/02/2021